quarta-feira, 4 de março de 2009

CRONICANDO: TODAS AS TRIBOS VÃO À ESCOLA!

Estamos a pleno vapor nas atividades acadêmicas.
Bem, é pra essa moçada que eu falo hoje. É uma homenagem...
Pra todos os batalhadores das páginas dos livros, cadernos e módulos. Pra esses corajosos jovens que enfrentam o desafio cotidiano das notas e provas. Que enfrentam professores e monitores. Que ocupam corredores e carteiras. Que vivem de leituras e avaliações.
Jovens espetaculares. Queridos companheiros destes meus anos dedicados a esse labor que incrível que é ensinar história. Se hoje eu ando palmilhando por outros caminhos fora das salas de aula foi lá que tudo começou.
Esses meninos e meninas são heróis da resistência. Contra o marasmo, contra o mau humor, contra o mesmismo e contra a omissão.
Foi com eles que fizemos as Diretas Já, que choramos Tacredo.
Com eles pintamos a cara pra mandar aquele palhaço collorido embora.



Com os jovens estudantes do Brasil vimos e protestamos contra o Sr. FHC quando ele começou a vender o Brasil.
Com eles sentimos as bombas explodirem dentro do Campus da UFBa já em pleno regime democrático e com eles elegemos um trabalhador presidente do Brasil.
Odiamos Bushs e esperançamos Obamas.
São eles os meus jovens queridos e cheios de um vigor que só os hormônios que borbulham e os sonhos do tamanho do mundo podem explicar.
Tive a honra de ao lado de meus alunos ter sido testemunha ocular, companheiro e muitas vezes protagonista destes fatos.
Meus alunos heróis.
Imaginem que ao longo de uma vida escolar um jovem até se formar irá assistir nada menos que 26.730 horas de aula.
Isso é o equivalente a 1.114 dias ininterruptos sem dormir, sem comer, sem fazer pipi, assistindo aula.



Algumas aulas interessantes, outras nem tanto. Alguns professores encantados e encantadores, verdadeiros feiticeiros como diz meu querido professor Hélio Rocha – aliás um exemplo vivo de feiticeiro da sala de aula – outros verdadeiros seres caídos de paraquedas na sala. Como diz o próprio Hélio: Dinossauros da Educação, Chatos de galocha.
Alguns passarão essas 26.730 horas em salas lindas, climatizadas e cheias de recursos multimídia. Já outros em outras salas: abafadas, acabadas, calorentas.
26730 horas de aula ao todo ao longo de uma vida escolar. Sem contar revisões e aulas extras...
Tudo isso pra que? Você me pergunta e eu lhe respondo:
Pela glo´ria maior de uma vida que é ser o cosntrutor de seu destino!
Revolucionar-se para revolucionar o mundo.
O primeiro e único passo fundamental: Educação.
Não se constrói nada sem ela.
Todas as utopias fracassaram em parte porque se esqueceram de transformar os indivíduos enquanto transformavam as estruturas. Outras fracassaram exatamente por que acertaram: investiram em educação e formaram massa crítica e no que deu? Os meninos foram lá e questionaram o próprio sistema. Suprema dialética que prova o poder revolucionário da Educação.





Eles, meus queridos jovens estudantes sabem bem disso. Senão não estariam lá, todos os dias, sorrisos abertos em generosa disponibilidade dizendo entre um olhar de admiração e um gesto de amizade o quanto querem ser melhores do que são a cada dia. É a indisfarçável certeza de que podem e que farão o que quiserem dos seus destinos.
Jovens de todos os tipos...
Os ricos e os pobres.
Os com motoristas e Mercedes. Os com carro, os sem carro. A galera feliz dos buzus.
Os risonhos e os tristonhos.
Os artistas e os sofistas.
Os Nerds.
Os Trakers.
Os Nets e Gamers
Os Punks e Neo Punks. Aqui vai um abraço para Paulo Farias, aluno da minha primeira turma. Tinha quase a minha idade e hoje meu grande amigo. "The Punk no dead", Paulo.





Os Góticos e os Headbangers .
Neo Hippies e Otakus . Esses são os fãs de Animes e Mangás.
Os Rivetheads e os Geeks
Acredite até Rappers tem nas salas de aula.
Os Emos sempre chorosos e apaixonados. Ouvindo My Chemical Romance.
Clubers, entre eles a mais bela cluber: Laka. Amiga querida.
Os Rastafari e as Patricinhas.
As Sweet Lolitas.
Os pagodeiros e baladeiros.
Os industriais. Os operários. Os batalhadores. Oficie e Moto Boys.
Os posers e... os normais. Gosto muito desses. São a maioria.
Mil tribos povoam as salas de aula da minha terra...
Milhares, milhões de jovens cheios de futuros no presente.
Apaixonados por seus projetos de vida e agradecendo a todos nós que acreditamos neles.






Saudações.
E dito e feito, vamos circular...
Ricardo Carvalho

Um comentário:

Bia Monteiro disse...

Eu gosto de desenhar de pintar e de rabiscar, mais a minha praia é desenhar.
Bjssss